Sal
Os nossos lindos olhos azuis cor de mel o antidepressivo mais barato que tem é o álcool a cena é uma intimidade estou mais para um dermatologista do que para uma ginecologista não tem matemática que explique vamos voltar pras humanas o encontro não começa nem termina aqui por que essa porra ocupa tanto minha memória rã? tenho uma casa inteira pra criar não dá pra ficar pula aqui pula acolá! e as camisinhas amarradas no chão mar de sal o maior do amor é que no desespero da causa alguém há de se proclamar o último româtico na berlinda sem esquema sem a previsibilidade de um poema qualquer coração na bandeja minha boca recanto do teu céu.
Paula Cohen e Gero Camilo 29 de julho de 2008 sao paulo
Escrito por Paula Cohen às 01h34
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Palavras pequenas
E é assim. E a música continua tocando embora você pare de dançar. As flores não se abalão com a tua crise. Com a tua falta ou com o excesso de suas paixões. As lágrimas secam e o olhar continua. Doce esperança de eternidade. Doce dança sem condução. Doce sonho de seduzir-se. Hoje eu não sou você. E nem te quero. Hoje eu estou vestida de boneca. Meias longas e rosas. Saia de corações coloridos e flor no cabelo. Um vestido e um laço para desamarrar amores.
Escrito por Paula Cohen às 05h52
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Ao pé do ouvido
Gente carregada da própria sina de viver as coisas. A gente que não consegue dormir porque perderíamos o tempo dos olhos abertos. Teus olhos velando os meus. Flecha de cupido sem dó em corações poéticos. Almas livres desconhecem gaiolas. Doce cavalo selvagem montado a pêlo. Goles e mais goles de Catuaba quente. Cachoeira vermelha na tua boca. Beberia o teu rio de canudinho até tocar o olho d‘aguá. Teu suor. Meu drink predileto sem pedras nem gelo. E as flores que soltam purpurina na pele e desenham máscaras para o nosso baile. E o disco do Arnaldo que explodiu de tanto te pedir. Tudo pode acontecer. Que venha a benção do mundo dançar nas nossas glórias. Pode acontecer qualquer coisa. E eu que só queria ficar quietinha e rezar baixinho no pé do ouvido do senhor para não confundir os pedidos. Para não esquecer os obrigadas que tenho a dar. Para te botar com pressa em minhas preces de desejo. E você, que é a palavra mais linda do português. E o sol do frio de São Paulo. E as pequenas distâncias entre as portas. E a luz que agente verte para o universo. E o infinito que é um oito deitado. E este instante que é a única coisa que de verdade existe. Vida é uma gota de suor que brota na testa e desce ao ventre molhando a pele- estampa do caminho que fez. Tudo isso que se revela aos olhos. Entro no teatro no escuro para não acordar nossos fantasmas. Silencio o coração e choro um pouquinho para transbordar a alegria e o privilégio de estar aqui.
Escrito por Paula Cohen às 23h22
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Passos Largos
De bota. De meia. Descalça. Sem pele. Passos largos. Como se andasse para salvar alguém. Como se corresse do azar. Como se precisasse se saber. Uma estrada de cidade. Rato de um buraco qualquer. E o tempo em frames de cinema. E a vida real. E as vontades expostas queimando as extremidades. E as mentiras da noite. E o que é o fim do caminho? Onde se chega? E as sandálias que voam do pé. E o pé que não finca. E o chão que é o teto do céu. E tantas respostas sem pergunta. E ela que quer saber o outro e pouco conhece de si. E gente que não para de nascer. E gente que não para de morrer. Um tropeço. Um buraco qualquer na calçada. Outro. Outro. Placas de rua que não dão sinais. Luzes acendem dentro e fora. Os olhos nos membros superiores. Pegadas cegas. Roupas monitorada por satélite. Tem alguém assistindo este filme. Outro. Outro. A fome com a sina de correr. O tempo em frames de cinema. Onde é a entrada? Alguém grita para não ir por ai. Qual é a saída? O mundo que gira. O tempo que não é linear. Os berros que morrem nas cordas vocais. Os Ais! Os Ais! A pressa. O caminho que é curto. A travessia que é longa. O tênis chinês que rasgou na largada. A falta que alguém te faz. O tempo da chegada. Uma poça de pinga de alguma encruzilhada. Um propeço. Outro. Outro.
Escrito por Paula Cohen às 13h31
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LA NOCHE DE LAS CHICAS
Abrir os caminhos de ruas tão nossas. Centros nervosos. Volúpia. Desejo que escorre e lubrifica a imagem de pedra da cidade. Língua que morre de sede. Tapete vermelho de damas de vias públicas. Trilha de pegadas no asfalto. Que sorte Suely, a nossa. E sempre essa rua. E sempre essa praça. E sempre essa igreja. E o salto que vira. E o ponto de Yansã. E o ecstasi de desfilar a singularidade com o charme de ser única. E o meu irmão sempre comigo. Roupas cobrem corpos que se despem tão fácil. Pedaços de pano que revelam alma e mais tantas delícias por ai.
Escrito por Paula Cohen às 12h59
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Infinito
O casal mais apaixonado do mundo foi comemorar o amor e morreu junto em um acidente fatal. Então eles entraram juntos na eternidade com o prazer de levar o amor para o sempre.
Escrito por Paula Cohen às 16h41
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Vênus em Áries.
Um óculos de mulher em um rosto de macho pelado. Uma mina despida de Rita Lee. Chove porra na cidade. E os guarda paus se abrem. Quem tem medo de gritar quando goza? Quem tem coragem de trepar com alguém que já morreu?
Jogaram absinto na caixa d‘agua. Não corte a orelha meu amor. Deixa que eu limpo o meu sangue nos teus dentes. Vênus passa nua por Áries e lhe oferece a nuca. Um tornado de luxúria inverte a moral da cidade. Rabinos explicam que tradição e traição tem a mesma raiz. Um sopro de liberdade sem culpa no coração de quem sempre se priva. O sol dentro do corpo de quem vive cinza. Tatuagens de boca na pele tem lugar nas passarelas. Corpos chupados desfilam com o olhar de crianças que inventam do que vão brincar. Vênus seduz o carneirinho. O sacrifício santo do amor.
Escrito por Paula Cohen às 20h18
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Outono
Para que o avesso tenha acesso. E para fazer girar a fortuna. Para que aconteça algo encantado. Para que as esquinas sejam cotovelos de braços dados com a sorte.
Vai vir um convite. Vai chegar uma carta. Vai nascer uma orquídea. Tenho medo amor.
Todo longe é perto. Algumas fachadas me confundem. Eu esqueci o numero de lá. Ou esqueci que lembrei o numero um dia. Ou esqueci que um dia eu soube de cor.
Cada passo uma escolha. E dias passam como passariam se nada disso ouve-se. Dias que vem, não ligam. O tempo e a estrada nossa. A minha unha caiu de tantos passos que eu já dei.
Escrito por Paula Cohen às 00h31
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DESMASCARADO
Terça feira de carnaval. Serpentinas no cabelo de alguém. Caroço na guela de outra pessoa. Silêncio profano. Cidade fantasiada de festa muda.
Escrito por Paula Cohen às 02h27
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A COLINA SAGRADA
A medida do braço do Senhor. Os pedidos de não sei onde em mim. O suor dos peregrinos que andam ou dançam descalços sobre vidros quebrados de perfume. Os pés que não se cortam de fé. Os olhos que transbordam esperanças de um dia alguma coisa ou de todos os dias alguém. Glória a ti neste dia de glória. Paz dos céu para quem pode dormir.
Escrito por Paula Cohen às 15h10
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LOS ORIENTALES
Pampas de mate y de candombe. Pampas de partes mias. Pampas de olores que confunden plantas y bizcochuelos. Pampas que nos ablandan las carnes. Viva la República quisquillosa de la panaderia de medialunas dulces como tu lengua. Viva los piropos de bocas groseras que aunque no las quieras te quieren a ti. Viva la jarra de vidrio blanca en la puerta de tu casa. Viva tu gente que aplaude a los niños perdidos en la orilla del mar. Somos celestes por acá porque nos reflejamos en el espejo del cielo o del rio. Somos celestes por acá, pedaço de tierra llorada por las milongas. Pueblo que canta su suerte en murgas, mascaras de carnaval. Pedaço mio de antes de haber nascido. Pedaço mio de para siempre. Acá me veo como soy de lejos y de tan cerca que me asusta. Acá mi padre. Acá mi madre. Acá las morcillas, los pocitos, las migas, los recuerdos de quien no conoci. Acá la fuerza de quien tiene gánas pero gana muy mal. Acá los colores mas lindos del cielo. Acá los primeros regalos de reyes. Acá la eterna duda de lo que hubiera sido. Pero vuelvo siempre a encontrarme en los ojos de Carmen. En su barco departamento rumbo a las isla fantásticas. Marinera que es como su padre el Capitan de Santurze. Marinera que es por los cuentos encantados que tiene. Marinera de alma livre que se toma con soda lo que viene.
Ale ale abuelita mia, suerte tenemos de poder bailar la vida como lo elegimos nosotras. Ale ale mi amor, a cantar la beleza de los ojos negros. Ale ale Carmentxu, serbime lo que tengas para tomar. Hoy llego y hoy me voy. Asi como siempre, asi para siempre. Dejo flores en el lugar mas dulce de mi alma. Dejo mi alma en el lugar mas dulce de estas flores jasmineras que nacen por aqui. Oxalá oliera yo como los eucaliptos de estos campos. Oxalá la vida me brinde con su mejor perfume. Oxalá tenga siempre la alegria y la essencia de mi padre. Oxalá tenga siempre la fé y la essencia de mi madre. Oxalá tenga a mi hermano siempre al lado mio. Oxalá las ramblas siempre me reciban tan bien.
Escrito por Paula Cohen às 21h34
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PIU
Eu corro e escrevo para poder viver. Me gasto nos passos e nas palavras doces e cruéis que profetizo. Me consumo de amores e de noites vividas até o fim. Até que a luz chega, antes de me dar vontade de ir embora. Respeito meus desejos e meus vícios. Respeito tanto que os alimento, como passarinhos que crio nas gaiolas da minha alma. Hoje, como em alguns dias que o sangue altera o meu curso das coisas, tenho vontade de lavar meu corpo com a água salgada que os meus olhos vertem para benzer me de mim. E não me controlo para nada. Se me der vontade choro mesmo. Para lavar a cidade, para encher o Rio. Se me der vontade me perco no centro e não volto nunca mais para mim. Se me der vontade não respeito mais nem uma lei, não pago nem mais uma conta. Se me der vontade ando pela minha contra mão, pela minha corda bamba, pelo fio da navalha de alguém. Hoje estou assim como se não tivesse graça esse filme. Como se tudo fosse repetido por aqui. Como se a melancolia fosse a minha mãe. E como se eu ainda vivesse dentro dela. Vou dar comida para os passarinhos da minha alma. Eles tem fome. Fome de olhos voltados para suas feridas. Fome da atenção de quem ouve uma história. Os passarinhos de mim querem publiquinhos que nos amem. Públiquinhos ávidos de tomar nos para si. Rapto de alma de cena. Estou de mudança com os meus passarinhos para a cela alma do espirito apaixonado de alguém. Terceiro sinal.
Escrito por Paula Cohen às 12h26
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RALO
Nada mais nocivo para uma sociedade do que o capitalismo. Um sistema de governo que simplesmente se propõe a estrangular a singularidade dos moradores da terra. Você nasceu para o quê? Qual é o desejo do teu espírito? Supostamente o que te dá prazer em fazer é o que você tem de melhor para jogar pro mundo. É O QUE VOCÊ TEM DE MELHOR. Mas o Mr. Capital é muito caprichoso, arrogante e sem paciência. Ele caga para a tua vocação, ele quer saber de notas. Pilhas de papel-poder. Cachoeiras de contas trasbordando o teu laguinho Mr. Capital é o pac-man dos infernos que quer comer você, teu carro, tua casa, tua mulher e o anel que a tua vó te deu e você guarda com saudades. Mr. Capital anda muito bem vestido, sempre de janelas bem fechadas para não reparar no aglomerado de pedestres que andam descalços. Mr. Capital se apossa da alma de muitos coitados que precisam pagar as continhas escrotinhas que chegam na puta que pariu das suas casinhas. Mr. Capital gosta de gritar as gargalhadas"Salve–se quem puder"e depois se dobra de tanto rir, e se baba todo. Mr. Capital outorga pequenos poderezinhos para os seus assistentes que tem o prazer infeliz de derramar em você. "Sinto muito senhor eu cumpro ordens" Que injusto e aviltante que é isso para a natureza humana. "Sim, eu sei que o senhor cumpre ordens,OOHHH GRAN MENSAGEIRO DA DESGRAÇA. Mas eu peço um pouco de compreenção". "Sinto muito eu não conheço essa palavra". E assim vão as coisas nesse mundo, com Mister Capital e seus amigos do peito. Na terra Brasilis, no país dos jeitinhos, tem produtores culturais que soltam uma verbinha em Brasília para se dar bem e montar as suas peçinhas de merda. Sangue-sugas que não estão nem aí para a CULTURA de uma nação.Vou repetir: PARA A CULTURA DE UMA NAÇÃO. O mais incrível é que os seu nomes nem aparecem nos jornais, porque o sistema é praticamente uma mãe para eles. Tem também a turminha do leite que tá botando água oxigenada e outras merdas na mamadeira do teu filho. Tem uma lista enorme de deputados, senadores, toda espécie de politicos que jogam no outro time. São os teus grandes adversários e governam o TEU País. E a falta de oportunidade de trabalho que destrói com a auto-estima de qualquer indivíduo e faz com que muita gente passe fome e frio além de todas as outras necessidades básicas. Enfim...PAU BRASIL. Enquanto na festa de Mister Capital existem os seletos dominantes exibindo suas vestes e suas sortes na terra do miserê. E aqui no iglu, como em tantos lugares, cortaram a luz. Talvés cortem o gás. Talvés cortem o telefone. Talvés cortem a minha pele e me pendurem num espeto para tudo terminar num churrasco finíssimo de carne humana.
É isso aí CORAÇÃOZINHO DOS OUTROS, é assim que anda tudo por aqui.
Escrito por Paula Cohen às 13h18
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Pau Brasil
Seca e dura como um pedaço de tronco que se morde pensando ser uma fruta molhada.
Escrito por Paula Cohen às 14h12
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Cortejo
Água de cheiro para molhar o pulso relógio que marca a vida em mim. Água da tua boca para o meu bico. Choro de tua cachoeira. Banho dos pés inchados de correr de ti. De não poder te. Sonhos que não me lembro. Sono que não vem. E muitos remédios para poder continuar.
Minha mão no telefone querendo discar. O teu ouvido na minha língua. Concha de beira mar. Ouço a tua música. Completo a tua história paralela. Não sei cantar o teu refrão. Penso nos olhos da Piaf e no sacrifício. Não me arrependo nem me reparo. Ando com a cabeça partida, de joelhos pelo asfalto para chamar a atenção.
A poetiza está exausta. A poetiza minimiza a dor. A poetiza está descalça. E atravessa essa estrada comprida sangrando em um andor.
Escrito por Paula Cohen às 11h04
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