O conforto frágil do Iglu.
A gente se protege. A gente acha que se protege. A gente tenta escapar do rodamoinho. Destampamos a banheira. Senão alagaríamos o iglu. Não tem graça morar em uma cela cagada com mais cento e dez neguinhos mais fodidos e fedidos do que eu. Não é produtivo nem criativo não ter função na exclusão. É natural de quem leva a porrada querer revidar. É doído o perdão quando a ferida rasga a pele. É visível o desamparo dos que seguram armas e mais ainda dos que trazem as mãos soltas, no bolso, em prece, no esboço de um abraço ou sustentando um vício qualquer. É pública a calamidade e a justiça é cega dos dois lados da mesma moedinha vil. Todos querem um travesseiro macio pra deitar o cansaço, mas as sirenes não nos deixam dormir. Sobe o cheiro do bueiro, das dês condições, dos dês controles e das fragilidades das bases. Das fragilidades das estruturas. Estão debaixo do batente os moradores do Iglu panorâmico. Estão com medo os transeuntes. Estão apertados os bandidos. E a policia está sem voz. Viemos dar nisso. Derramem amor, porque como dizia o poeta "gentileza gera gentileza". Precisamos de colo de nós mesmos. Que DEUS se compadeça dos filhos seus.
Escrito por Paula Cohen às 18h01
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