Inverno
Ninguém sabe dos gritos deste iglu. Ou do silêncio fatídico e gelado aos pés dele. Da solidão de uma masmorra de vidro. Ninguém sente a dor de uma pele que pede mãos e mãos em busca de afagos na alma. Ninguém sabe quantos mendigos morreram de frio ontem a noite quando batiam oito graus nos termômetros da cidade. Ninguém prestou socorro a alguém que morreu de overdose em um banheiro do centro, e só. Alguém conta com olhos de terror que viu um avião explodir contra um prédio. Alguém gozou sete vezes sem tirar o pau de dentro, e não se satisfez. Alguém subiu no palco de madrugada embriagado e derramou poesia . E as bocas não param de ter fome. E os medos não param de ter nomes. E eu não paro de ter muita saudades de alguém.
Escrito por Paula Cohen às 14h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|