PIU
Eu corro e escrevo para poder viver. Me gasto nos passos e nas palavras doces e cruéis que profetizo. Me consumo de amores e de noites vividas até o fim. Até que a luz chega, antes de me dar vontade de ir embora. Respeito meus desejos e meus vícios. Respeito tanto que os alimento, como passarinhos que crio nas gaiolas da minha alma. Hoje, como em alguns dias que o sangue altera o meu curso das coisas, tenho vontade de lavar meu corpo com a água salgada que os meus olhos vertem para benzer me de mim. E não me controlo para nada. Se me der vontade choro mesmo. Para lavar a cidade, para encher o Rio. Se me der vontade me perco no centro e não volto nunca mais para mim. Se me der vontade não respeito mais nem uma lei, não pago nem mais uma conta. Se me der vontade ando pela minha contra mão, pela minha corda bamba, pelo fio da navalha de alguém. Hoje estou assim como se não tivesse graça esse filme. Como se tudo fosse repetido por aqui. Como se a melancolia fosse a minha mãe. E como se eu ainda vivesse dentro dela. Vou dar comida para os passarinhos da minha alma. Eles tem fome. Fome de olhos voltados para suas feridas. Fome da atenção de quem ouve uma história. Os passarinhos de mim querem publiquinhos que nos amem. Públiquinhos ávidos de tomar nos para si. Rapto de alma de cena. Estou de mudança com os meus passarinhos para a cela alma do espirito apaixonado de alguém. Terceiro sinal.
Escrito por Paula Cohen às 12h26
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