Passos Largos
De bota. De meia. Descalça. Sem pele. Passos largos. Como se andasse para salvar alguém. Como se corresse do azar. Como se precisasse se saber. Uma estrada de cidade. Rato de um buraco qualquer. E o tempo em frames de cinema. E a vida real. E as vontades expostas queimando as extremidades. E as mentiras da noite. E o que é o fim do caminho? Onde se chega? E as sandálias que voam do pé. E o pé que não finca. E o chão que é o teto do céu. E tantas respostas sem pergunta. E ela que quer saber o outro e pouco conhece de si. E gente que não para de nascer. E gente que não para de morrer. Um tropeço. Um buraco qualquer na calçada. Outro. Outro. Placas de rua que não dão sinais. Luzes acendem dentro e fora. Os olhos nos membros superiores. Pegadas cegas. Roupas monitorada por satélite. Tem alguém assistindo este filme. Outro. Outro. A fome com a sina de correr. O tempo em frames de cinema. Onde é a entrada? Alguém grita para não ir por ai. Qual é a saída? O mundo que gira. O tempo que não é linear. Os berros que morrem nas cordas vocais. Os Ais! Os Ais! A pressa. O caminho que é curto. A travessia que é longa. O tênis chinês que rasgou na largada. A falta que alguém te faz. O tempo da chegada. Uma poça de pinga de alguma encruzilhada. Um propeço. Outro. Outro.
Escrito por Paula Cohen às 13h31
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