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Eletrocardiograma


Antes da cena

Vou comer brilhantes para ver se quebro um dente

Prometo não te mastigar tanto

Deixa olhar

Mordita bendita cicatriz

Desperto na consequência dos atos

Protagonista do  acaso

Relatos do estado de uma vida singular

Sozinho eu poderia estar se não teus olhos me dissessem tanto

Se não tivesse que engolir

Pranto

Santo

Sacrifício

Ofício é de papel timbrado

Meu labirinto zoado não entendeu

Agora silêncio

Silêncio sagrado de camarim

Quando isso é possível

Tempo atento de entrar na cena

Palavras talhadas na memória

Outra boca é a que fala

Eu já fui ela

Acredite

Eu já fui....



Escrito por Paula Cohen às 14h53
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Para Cosme e Damião

 

 

Teus braços

Parques de diversão

Primeira versão da história

Uma música Teatro Belgrano

Birutas encantadas de poesia

Teu olhar

Um vinho para continuar girando

Ciranda cantada em prantos de festa

Bom motivo para viver

Melhor seria se você me pedisse fogo

Tua boca

Cinco minutos surdos para celebrar Apolo

E a estrela de David que sai do seu peito quente

O doce mais doce do Erê

 

Parece que a bailarina nasceu girando?

 

Tua mão

Por onde deslize vai me encontrar

Calafrio só de um lado

Quem dança é a pupila entre a pálpebra e o globo branco molhado

Encanto serve para enfeitiçar

Tua lingua

Água e vinho quando se misturam

Os flocos de neve que eu engoli de tanto andar de boca aberta

Um suspiro de Tequila para despertar o príncipe

Agora sim

Você

Quem é?

Que cor de lágrima você chora?

Que música te pira?

Tua mão confirma o destino?

Do que brincava quando era menino?

Já deixou de ser?

 

Bombom

 

Continuem calado

Teu silêncio diz mais de você



Escrito por Paula Cohen às 16h55
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Arbusto nu

Uma folha amarela e pequena cai sob o tapete na grama
Gramas de vida sólida
É alma que se chama o princípio misterioso que as folhas carregam?
E o nosso?

É da alma que vem o desejo? ou é no espirito que ele nasce?
Quem pensa em você dentro de mim quando eu estou quieta de pensamentos?
Quem tem saudades de algo que não sabe o que é? dentro de mim?
Quantas coisas voltam parecidas desde que eu me lembro de mim
O jeito que se aprendem as coisas? Sei lá....

Restos de jeito de desde sempre

Momento baú de fazer perfumes
De voar trapézio e de  de falar horas com ninguém
De falar línguas inventadas
De gostar do risco
De querer ser singular sem saber o significado
De ter muito respeito pelo amor, pela palavra e pelo olhar
Projeto de não perder a corajem nunca

É a melancolia destes dias belos de outono
Onde as folhas caem
Os corações buscam abrigo

E a felicidade brinca de se esconder



Escrito por Paula Cohen às 23h17
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A noite de Pan

Satyro na frente abrindo caminho
Flautas que anunciam o começo da festa
O calor de quem sua é o mesmo
Parado eu em movimento
Me leva
Passeia pelas surpresas que o céu escuro a mim reservam
Entrou uma Esperança enorme na minha sala e não quer sair
Agora mora aqui
Eu não sei o que ela come,
não sai do meu teto
Eu saio
Eu não ando pelo teto
ainda
Eu tenho sede porque a terra é quente demais
Vou por um copo nesta noite
Copo longo para demorar mais a acabar
Vou dar goles pela Esperança que não sei se bebe
E que eu não acho que queira sair daqui
O Iglu recebe bem seus visitantes
Convidados
ou
não.



Escrito por Paula Cohen às 19h14
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TCHAU

 

Vim me curar na boca do precipício.

Podia morrer se escorregasse.

Podia escorrer pelos teus braços se assim você tivesse querido

Mas não

querido

Não vistes em mim a treva que precisavas

Não te dou na cara

nem te olho com desdém ou desconfiança ou ciúme ou sombra ou dor ou dor ou sombra

Amor para ti ardida doença

Eu lambida de água vulcânica na pedra a dois mil metros para baixo

Salto e vivo

Me solto e vivo

Ando e me solto de você

Andei muito dentro de mim para chegar até aqui

Boca de precipício do outro lado do mundo

Rindo para a Africa de poucos dentes e tantos ritos

Tentando esboçar um sorriso por dentro da alma para esquentar os orgãos da desilusão

Do seu não

amor

Ventilo a minha dor de entrega e reitero o meu passo em falso

Trilha do meu precipício particular

Corpo do meu lar

Sorte que o amor é meu

Sorte que o sol e a lua aqui se visitam bastante

Vontade de voar que tenho

Nua entre precipícios deixando o vento me guiar os passos na dança louca carta de tarô.



Escrito por Paula Cohen às 16h29
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Love

Deliciosa vontade de viver

Sublime vocação para alegria

Pequenos ataques de euforia infantil

Vácuo de frio na barriga

por tudo

Por nada

Aprender a ser tão livre mesmo lambendo corações...

Love love love

 

 



Escrito por Paula Cohen às 19h20
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Blues

Onde está o principe invertido?
Que pouco divertidas que ficam as noites sem o teu rastro.
O rasgo do meu vestido não tem sentido
Onde se esconde o teu tremor nessas noites frias de primavera?
O meu temor é não ter teus olhos, espelho da minha vaidade vã
Meu fã
Minha glória barata
Meu ouvido surdo para as tuas brincadeiras sem graça
Talvés te procure por todo o breu
Destino solto sob ameaça de uma fraqueza
Certeza só dá morte de um dia
Música da tua voz rasgada de cigarro
pleno eixo da minha poesia
Saio a te encontrar nas ruas todas dessa cidade imensa
Minha franqueza me morde a lingua
revela coisas que eu nem sei se disse
Em algum lugar
Você
talvés em sonho te encontre,
livre,
sem medo,
menos triste do que te via.


Escrito por Paula Cohen às 15h53
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Minguante

Minha alma é perto de mim
Minha alma é mim
Me entendo pelo que intuo
Meu processo é assim
Descasco além do esmalte
Solto a pele excesso das extremidades do que me compos
Me desamarro em choro para aliviar
Deixo lavar o nó das agonias que parasitam a minha quietude
Daqui a pouco descanso no colo do chão
Daqui a pouco me curo no palco

Escrito por Paula Cohen às 15h33
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Pequeno circo de aquário


Sentiu o banhar das mãos a pequena que tinha paixão de saltar do trapésio.

Podem tirar o chão que eu pulo

Gritou rouca de medo
Era uma sedução a tempos.
O buraco do eniguimático vazio de cair no vão do chão

Imeditamente o chão foi removido do chão do pequenino circo caixa de música.
Rufam tangueiros os burleiros tambores
Rufam com o barulho da dor e do medo que o nada do nada ofereciam a menina de mãos encharcadas.

O chão saiu do chão
abriu se um vão de escuridão que era infinito
infi
nito
infi
nito
infi
nito
infi
nito
infi
nito

Que se ela cantasse uma música nunca a melodia chegaria ao lado mais profundo do outro lado.
Que se ela soltasse o corpo era do vácuo a primeira valsa.

Gotas de todos os poros brotavam para serem secas pelo vento.
Mão sem força nos dedos escorregadios.

Cada coisa que passa na nossa cabeça!

Ela cerrou os olhos com força de pálpebras que vivem pesadelos.
Lembrou de algo que era mais importante para ela do ela pensava.
Rezou em português mais pediu para poder se fazer entender em todas as línguas.

E então como que no colo do inevitável,
mais apática do que gostaria de ter sido,
deixasse cair infinitamente
no sentido da gravidade.

A caixinha de música perdeu a corda

Do chão passa-se um bocado.

Escrito por Paula Cohen às 15h40
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BÁSICO 1



Passarinho nos dedos saindo da casca
E a dança necessária das placas tectônicas para nunca morrer velho
aos 97 anos.
O tempo que as coisas levam para cicatrizar.
O jeito que os amores passam
sempre o mesmo peito que suspira.
Pegar um lápis nas mãos e tentar
Não mais como tentávamos antes quando nem sabíamos o significado das palavras
Re aprender se r


Somos algo entre o que queremos ser e o que inevitavelmente pulsamos?
Porque fazemos planos?

O alívio de voltar pra casa nem que seja se arrastando pelas ruas
roto
pingando gotas vermelhas para combinar com as unhas do travesti.
O olho que se encontra no espelho e ri cúmplice de si mesmo
As gotinhas perigosas que te fazem dormir.
O tempo de fazer uma coisa por vez
não tinha vez a tempos.
Os olhos verdes de alguém que ninguém nunca nos apresentou.
O devir
Começar hoje para terminar quando o corpo deitar e os sonhos inquietarem mais a tua realidade
Ou começar amanhã quando o Fito te trazer o café na cama.


"COMO VENGANZA DE LA BUENA SUERTE
O RECOMPENSA DE LA MALA VIDA
DE LA CABEÇA ME ARRANCARON CABLES
PA METER LAS COSAS QUE ANTES NO ME CABIÁN"
Fito & Fitipaldis



Escrito por Paula Cohen às 11h24
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Tombei


O corpo nossa casa
Templo de alma e espirito
Inquieto
Dancei
Espatifei a cabeça do radio
Cacos de mim na pista da discou
Quebra cabeça de médico
Pinos placas e parafusos
Mulher biônica agora, para concorrer com a maravilha.
Bip para portas enxeridas que querem saber demais
Garrincha para as mão
Inverter os hemisférios
Se pan fico mais inteligente.
Continuo caindo pois sou de natureza bamba
Sorte que não ando em cordas
Mas me penduro onde for
Gosto de balanço e de vento na cara
São os caprichos do impulso que o carneiro me dá
Sina ariana de se jogar antes e pensar depois
Ou de falar antes e pensar depois
Ou de se apaixonar antes e amar depois.
A patinha tá quebrada
Quero o meu leite na tigela para lamber com gosto o cálcio dos meus ossos
Talvez um bom cafuné para me sintonizar
Sem drama eu caio
Com charme me levanto para ver qual é.
E os limites que nos dão noção de realidade sempre presentes pois assim é a vida
Fabulosa e indigesta passagem.
Enquanto não frequento outras pistas deixo a Bebe indignada esculachar o seu homem ¨malo¨ no meu i pode.
Pode ser que eu me acostume com tanta mordomia
Pode ser que eu case com o meu médico.
Pode ser que eu vire tenista depois de tanta dor de cotovelo.

Escrito por Paula Cohen às 18h01
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Sal

Os nossos lindos olhos azuis
cor de mel
o antidepressivo mais barato que tem é o álcool
a cena é uma intimidade
estou mais para um dermatologista
do que para uma ginecologista
não tem matemática que explique
vamos voltar pras humanas
o encontro não começa nem termina aqui
por que essa porra ocupa tanto minha memória rã?
tenho uma casa inteira pra criar
não dá pra ficar pula aqui
pula acolá!
e as camisinhas amarradas no chão
mar de sal
o maior do amor é que no desespero da causa
alguém há de se proclamar o último româtico
na berlinda
sem esquema
sem a previsibilidade de um poema qualquer
coração na bandeja
minha
boca recanto do teu
céu.




Paula Cohen e Gero Camilo
29 de julho de 2008
sao paulo

Escrito por Paula Cohen às 01h34
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Palavras pequenas

E é assim.
E a música continua tocando embora você pare de dançar.
As flores não se abalão com a tua crise.
Com a tua falta ou com o excesso de suas paixões.
As lágrimas secam e o olhar continua.
Doce esperança de eternidade.
Doce dança sem condução.
Doce sonho de seduzir-se.
Hoje eu não sou você. E nem te quero.
Hoje eu estou vestida de boneca.
Meias longas e rosas. Saia de corações coloridos e flor no cabelo.
Um vestido e um laço para desamarrar amores.



Escrito por Paula Cohen às 05h52
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Ao pé do ouvido




Gente carregada da própria sina de viver as coisas.
A gente que não consegue dormir porque perderíamos o tempo dos olhos abertos.
Teus olhos velando os meus.
Flecha de cupido sem dó em corações poéticos.
Almas livres desconhecem gaiolas.
Doce cavalo selvagem montado a pêlo.
Goles e mais goles de Catuaba quente.
Cachoeira vermelha na tua boca.
Beberia o teu rio de canudinho até tocar o olho d‘aguá.
Teu suor. Meu drink predileto sem pedras nem gelo.
E as flores que soltam purpurina na pele e desenham máscaras para o nosso baile.
E o disco do Arnaldo que explodiu de tanto te pedir.
Tudo pode acontecer.
Que venha a benção do mundo dançar nas nossas glórias.
Pode acontecer qualquer coisa.
E eu que só queria ficar quietinha e rezar baixinho no pé do ouvido do senhor para não confundir os pedidos.
Para não esquecer os obrigadas que tenho a dar.
Para te botar com pressa em minhas preces de desejo.
E você, que é a palavra mais linda do português.
E o sol do frio de São Paulo.
E as pequenas distâncias entre as portas.
E a luz que agente verte para o universo.
E o infinito que é um oito deitado.
E este instante que é a única coisa que de verdade existe.
Vida é uma gota de suor que brota na testa e desce ao ventre molhando a pele- estampa do caminho que fez.
Tudo isso que se revela aos olhos.
Entro no teatro no escuro para não acordar nossos fantasmas.
Silencio o coração e choro um pouquinho para transbordar a alegria e o privilégio de estar aqui.


Escrito por Paula Cohen às 23h22
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Passos Largos

De bota. De meia. Descalça. Sem pele.
Passos largos.
Como se andasse para salvar alguém.
Como se corresse do azar.
Como se precisasse se saber.
Uma estrada de cidade. Rato de um buraco qualquer.
E o tempo em frames de cinema. E a vida real.
E as vontades expostas queimando as extremidades. E as mentiras da noite.
E o que é o fim do caminho?
Onde se chega?
E as sandálias que voam do pé. E o pé que não finca. E o chão que é o teto do céu.
E tantas respostas sem pergunta.
E ela que quer saber o outro e pouco conhece de si.
E gente que não para de nascer. E gente que não para de morrer.
Um tropeço.
Um buraco qualquer na calçada.
Outro.
Outro.
Placas de rua que não dão sinais.
Luzes acendem dentro e fora.
Os olhos nos membros superiores. Pegadas cegas.
Roupas monitorada por satélite. Tem alguém assistindo este filme.
Outro.
Outro.
A fome com a sina de correr.
O tempo em frames de cinema.
Onde é a entrada?
Alguém grita para não ir por ai.
Qual é a saída?
O mundo que gira. O tempo que não é linear.
Os berros que morrem nas cordas vocais. Os Ais! Os Ais!
A pressa.
O caminho que é curto. A travessia que é longa.
O tênis chinês que rasgou na largada.
A falta que alguém te faz.
O tempo da chegada.
Uma poça de pinga de alguma encruzilhada.
Um propeço.
Outro.
Outro.

Escrito por Paula Cohen às 13h31
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